PostHeaderIcon Passeando pelas diferenças

Diversidade?

Diversidade?

Ontem, passei duas horas numa sala de aula, de uma universidade norueguesa, com pessoas de diferentes partes do mundo. Entre uma fala e outra do professor, eu olhava para cada uma delas tentando descobrir as respectivas nacionalidades. Em algumas pessoas pude identificar, pelos traços, pela cor da pele e do cabelo, pelo formato do rosto, de onde eram.

Os rapazes sentados no canto da parede à esquerda eram indianos e as moças sentadas na primeira fila eram, visivelmente, norueguesas, pois os cabelos louros, os olhos azuis e as maçãs do rosto não negavam a nacionalidade. Mas, uma moça magra, que estava sentada ao meu lado, me enganou. Jurava que ela era francesa, pois tinha os cabelos lisos na altura dos ombros, o estilo esguio, o porte e os gestos finos. Olhei seu crachá e percebi que seu nome era mais estranho do que costuma ser o dos franceses.

Numa conversa rápida, perguntei logo sua nacionalidade. Ela me disse que morava em Okan, em Istambul, na Turquia. Minha curiosidade ficou aguçada, olhei para os demais, pois estava intrigada com aqueles traços físicos, que representavam uma identidade e uma história de vida. Os traços culturais também chamaram minha atenção, os quais estavam presentes na linguagem, nas roupas, nos penteados, na maneira como abordavam as pessoas ou discutiam determinados assuntos. Os traços físicos e culturais se confundiam naquele grupo que discutia, exatamente, cultura e globalização. Que exemplo vivo era aquela sala de aula! Então, diante deste grupo, fiquei pensando num significado maior e me perguntei o que era essencial.

Coloquei no papel algumas palavras e conlcui que o essencial é não esquecermos ou deixarmos de lado nossos valores, mesmo sendo um cidadão do mundo, tendo uma identidade globalizada. Não quero dizer com isso que não podemos mudar de opinião, estilo ou preferência literária, até porque nossa identidade é construída, moldada a partir das relações estabelecidas com o mundo e os demais atores sociais. Estou apenas colocando que valores básicos como respeito, amor, sinceridade, entre outros, não podem se perder no turbilhão de experiências que vivenciamos a cada segundo. Não podemos esquecer que estamos imersos numa cultura globalizada, que é volúvel, mutante e mutável, na qual existem oportunidades, avanços, acessos, mas lembrar que precisamos de uma base sólida de valores para convivermos com o outro. Foi bonito ver pessoas tão diferentes unidas por um objetivo comum.

9 Responses to “Passeando pelas diferenças”

  • Lion disse:

    Como seria bom se mais gente pensasse como você!

    Boas palavras!

  • Chris disse:

    Cida, eu gostaria de estar nesta sala de aula. Será que você iria acertar a minha nacionalidade? :- )

  • Maria Cristina Latini disse:

    Que beleza! Queria ter mais tempo para mergulhar no seu texto e ir soletrando suas reflexoes! A identidade apesar de toda a antropofagia do mundo globalizado é possível, nao para levantar muros, criar separacao, mas para embelezar com as cores da multiplicidade e nos obrigar a abrir os bracos diante do “impossivel”.
    Beijo grande,
    Cristina

  • andrea disse:

    Bendita globalização , né , Cida ?
    Diante de pessoas tão distantes , mas ás vezes , tão próximas me indago : como será o mundo globalizado daqui à algumas décadas ? Será que teremos os “tipos genêticos” característicos como temos hoje ?
    Li num jornal da incrível queda da natalidade dos Países do Velho Mundo. Será que terão que importar bebês ? rs…rs..
    O fato é que se continuarem assim talvez algumas características mais autênticas de determinado povo vá se perdendo.
    Para os nós brasileiros, isso é muito comum , temos gaúchos morenos e nordestinos loiros , nossa população e´multi, pluri miscigenada, só dá saber com certeza dá onde o sujeito é pelo sotaque e os “eres” e “eses” denunciam o procedência do sujeito !
    O que não deixa de ser bem divertido ….

  • Marleide disse:

    Cidinha,

    Fiquei impressionada com a diversidade encontrada em um único lugar, que às vezes está tão próximo de nós e não temos tempo para perceber. Parabéns por ter conseguido captar e nos passar.
    Um grande beijo,
    Marleide

  • Lourdes Saint-Pasteur disse:

    Acredito que a globalizacao ja existe há muitos anos. Mas muitos de nós ainda nao atingiu o potensial de desenvolvimento psicologico para lembrar que passaporte é apenas um documento de viagem. As vezes me pergunto se a fixacao com o lugar de nascimentou ou de criacao nao é a causa da maioria dos conflitos do homem. Gosto da internacionalizacao dos fatos, dos homens etc.

  • Rose disse:

    Cida,

    Fiquei impressionada com a sensibilidade e a abordagem do seu texto. Parabéns!

  • Regina disse:

    Querida Cida, adorei seu texto, muito bem escrito, parabéns.

  • Rute Tostes disse:

    Pary,
    Talvez nossas observações e dia a dia nos levem a situações um pouco diferentes. Mas, como você mesma disse, o importante é não perder os valores. Passo boa parte dos meus dias na presença de pessoas vindas do nordeste brasileiro e que habitam favelas do Rio de Janeiro. A “peãozada” é muito bacana e além do sotaque muito engraçado, muitos têm um potencial fantástico ao se pensar em bondade. Falam de forma mais doce e são mais honestos que a maioria dos chefes de estado. Conviver nos leva a refletir mais!!!
    Bjs

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