Aconteceu em Oslo, no dia 22 de julho de 2011 às 15.45 da tarde

Vidros destruídos em lojas localizadas a centenas de metros do local da explosão
Infelizmente o dia que todos nós estávamos temendo chegou. A Noruega entrou no mapa do terrorismo mundial.
Sentado em frente ao computador no meu escritório ouvi um explosão gigantesca…poucos segundo depois veio o tremor. O sólido prédio do meu trabalho na Secretaria Nacional de Integração e Diversidade tremeu. Na falta de informação tanto na internet, como no rádio corri até a janela quando vi uma imensa nuvem de fumaça negra e a assustadora imagem de centenas de folhas de papel voando no céu. Torci pra que tivesse sido uma explosão de gás em alguma loja da rua principal de Oslo, a Karl Johan, mas poucos minutos depois recebemos a informação de que havia explodido uma bomba no prédio R4 do governo norueguês, onde fica o escritório do Primeiro Ministro norueguês.
O que fazer numa situação dessas? Minha primeira reação foi ligar para a minha mulher e perguntar onde eles estavam, mas também minha sogra que estava visitando uma amiga em Oslo. Sem querer assustá-la contei o que aconteceu. A pacata Noruega, sede do prêmio Nobel da Paz, promotora de diálogos de paz havia sido atacada. Uma bomba na sede do governo, aproximadamente 600-800 metros do meu trabalho, tinha acabado de explodir.
Depois da minha mulher, comecei a ligar para os meus amigos, ao mesmo tempo que vários brasileiros me ligavam. Também queria avisar à minha família no Brasil o mais rápido possível, porque queria que eles soubessem através de mim, o que estava acontecendo e não através da mídia. Incrível como minutos e até segundos podem durar uma eternidade nessas horas. A falta de informação deu espaço às especulações, e de repente surgiram boatos de que existiriam mais duas ou três bombas, e que as mesmas estariam no centro da cidade. Depois me me sentir seguro no meu escritório, veio a ideia de que um prédio do governo norueguês, que trabalha com integração de minorias étnicas na Noruega, também poderia ser um alvo. O cheiro de enxofre também contribuiu parece que eu pegasse minhas duas amigas e saísse do escritório.
Na mesma hora pensei, “se isso realmente foi um atentado terrorista com certeza irão culpar os estrangeiros”. Pela segunda vez em dez anos de Noruega me senti mal sendo um estrangeiro nesse país, e veio o medo de ficar sozinho. Com certeza existem outras razões, o medo de morrer sozinho, de estar no local errado, na hora errada… Bom, segui com as minhas amigas até a casa de uma delas onde a família estava reunida. O trajeto que normalmente leva 10 minutos, levou 40 já que evitamos possíveis alvos como a Secretaria de Imigração, a sede da Polícia de Oslo, a estação central de Oslo etc…
No caminho o telefone não parava de tocar, com chamadas da imprensa de norte a sul do Brasil, e eu conseguia somente relatar o acontecido e o que eu via no caminho. Vidros estilhaçados por todo o centro da cidade, as feições de medo, apreensão e incerteza. Muitas pessoas choravam, todas falavam ao telefone. Nessa hora era impossível analisar os acontecimentos, eu estava vivenciando a história, o acontecimento histórico mais importante da Noruega pós-guerra, um divisor de águas na sociedade norueguesa, da social democracia que durante muitos anos fascinou o mundo. O que vai acontecer com a Noruega?
Continua…


Forfedelig! The last thing peace-loving Norway deserves is some terroristic attacks like this! It demonstrates total lack of respect for human life.