Helsinque, HOT HOT HOT!

A capital da Finlândia
Minha primeira vez em Helsinque foi no inverno de 2008. Naquela oportunidade estava a trabalho e o pouco que vi da cidade, estava coberto de gelo. Mesmo assim pude perceber a simpatia do povo finlandês, que mesmo sem abusar dos sorrisos recebe os turistas de braços abertos. De todos os lugares que visitei, em poucos pude vivenciar um povo tão gentil e educado. Naquela visita vi o potencial da cidade e prometi que iria retornar…dessa vez no verão.
Retornei justamente no verão finlandês mais quente dos últimos 100 anos, e na verdade, no final de semana anterior à divulgação da pesquisa da Newsweek que apontou a Finlândia como o melhor país do mundo pra se viver*. Ou seja, não poderia ter escolhido melhor hora!
Deixei a cidade de Oslo com um voo da Norwegian, que há pouco abriu uma nova rota ligando a capital norueguesa à capital finlandesa. A passagem de ida e volta ficou por pouco menos de 500 coroas. Depois da viagem de uma hora e quinze minutos cheguei ao aeroporto de Vantaa, que fica a 30 minutos do centro de Helsinque. O caminho, como em qualquer outra cidade do mundo não é dos mais agradáveis. O ônibus expresso passa por áreas industrias e pelo triste subúrbio da Grande Helsinque.
Chegando ao centro, a praça da estação central de trens, a Rautatientori, é o ponto de partida para a maioria dos turistas que visitam a capital da Finlândia. Lá param todos os ônibus, trens, além do metrô. Metrô que só possui uma linha, e que percorre a cidade do extremo leste à parte oeste em 22 minutos. Helsinque é no entanto tão pequena e tão bem organizada que o melhor para o turista é caminhar pela cidade. O centro da cidade reúne também a maioria dos hotéis. Para low budget o Hotelli Finn, é uma boa pedida. Os quartos são pequenos mas aconchegantes. Se você quer esbanjar, faça a sua reserva no Scandic Marski. Fazendo sua reserva com antecedência você consegue ótimos preços. O hotel conta com um bar muito bem frequentado no andar térreo, além de uma sauna no nono andar. A sauna é na verdade uma instituição finlandesa, e a maioria dos finlandeses tem uma pequena sauna em seus apartamentos. Mesmo assim se você não for convidado por um(a) local para visitar sua sauna particular, você irá encontrar várias saunas públicas em toda Helsinque.
Gastando em Helsinque
Em uma das ruas principais da cidade, a Mannerheimmintie, a variedade de lojas surpreende. Na mesma rua você encontra a Stockmann, que é o maior shoppimg center dos países nórdicos. A Stockmann conta com 8 andares abarrotados de lojas. Grifes locais e internacionais estão presentes juntamente com muitos restaurantes. Tudo isso pra você não pensar nas horas que passam… Aproveite para ver as lojas de produtos finlandeses. A Finlândia é conhecida mundialmente pelo seu design inovador. Todo ano, entre o final do mês de agosto e o começo de setembro é realizada a Helsinki Design Week, e em 2012, Helsinque será a capital mundial do design.
Se o design finlandês é inovador, seu preço é assustador. Comparando os preços com produtos similares na Noruega o viajante terá um susto. Mesmo assim vale a pena conferir. Nas cercanias da Stockmann, e ao longo da Pohjoisesplanadi o que não faltam são lojas exclusivas e galerias. Para o mais descontraídos, dêem uma volta no bairro Kamppi, onde o visitante encontra produtos da moda alternativa.
A noite finlandesa não é uma criança

A praça e o shopping center de Kamppi
Os principais bares, pubs e discotecas também estão localizados no centro e no bairro Kamppi, e tem de tudo um pouco. Na praça de Kamppi, (onde você também encontra uma estação de metrô), os clubs The Tiger, Circus e Jenny Woo reúnem o público de 23 a 40 anos. O quentíssimo The Tiger fica no oitavo e nono andares do Kamppi shopping center, e é um must! De lá você só sai desacompanhado se quiser. O som eclético da discoteca atrai um público bem variado, e no final das contas todos se divertem. Se você estiver acompanhado o melhor é dar uma passada no bar e cervejaria Teerenpeli. Lá o clima é de romance e muito legal. Prove a cerveja local – de preferência a escura – e bata um papo com os locais. Pergunte sobre a relação dos finlandeses com a Rússia. A Finlândia foi durante quase 110 anos uma parte da Rússia. Depois do Teerenpeli, dê uma caminhada até os bares dos cineastas Ari e Mika Kaurismäki, Bar Moskva e Corona (Eerikinkatu 11) e veja de perto os resquícios da “famosa depressão finlandesa”.

As finlandesas sorrindo à toa
Se você não suporta música ao vivo e bandas cover, chegou a hora de mudar de ideia. Visite a casa de espetáculos Apollo Live Club (Mannerheimimtie 16). Durante os finais de semana o local ferve. Nas minhas duas passagens por Helsinque conferi o Apollo e me diverti…MUITO (será que dei sorte?). A clientela é da melhores, e as bandas são ótimas, com um repetório que passa por Led Zeppelin, A-ha, AC/DC, Elvis Presley e muito mais. Jogando um charme brasileiro, você consegue entrar de graça, e na pista de dança não tem como ficar parado.
Ainda no centro o exclusivo Teatteri (Pohjoisesplanadi 2) é um complexo com restaurante, bar, discoteca e lounge. Também é uma boa para o público acima dos 24.
Para os mais experientes a boa é o König (Mikonkatu 4), e os bares ao seu redor. O König, é um bar, discoteca que reúne a clientela 40+ e toca músicas dos anos 70, 80 e 90. A área fica lotada do lado de fora onde as Cougars ficam caçando e os homens ficam batendo papo. A área é perigosíssima para os homens de 30…
Conhecendo Helsinque
A média de temperatura do verão finlandês é de aproximadamente 17 graus Celsius. Na minha segunda passagem por Helsinque tive a sorte de pegar um final de semana onde a temperatura mais baixa foi de 27 graus. Imaginem a loucura na cidade! Como em outras capitais nórdicas, a população se transforma durante os meses de verão, e essa é felizmente a impressão que fica. Aproveite as ruelas do centro para caminhar e relaxar nos Cafés. Veja o bairro Punavuori, e caminhe pelo Bulevardi para ver a simpática igreja Vanha kirkko, construída em 1826. O parque onde a igreja foi construída é na verdade um antigo cemitério onde as vítimas da Peste Negra foram enterradas.

Tuomikirkko, a catedral de Helsinki
Siga então pelo Parque da Esplanada, passando pelo Teatro Sueco e em direção ao mercado Kauppatori. De lá você poderá ver um pedaço da Tuomikirkko, a Catedral de Helsinki e símbolo da cidade. A Tuomikirkko é uma construção gigantesca e fica no topo das escadarias da Praça do Senado. Depois de apreciar o interior da Catedral, volte ao Kauppatori e mate a sua fome. De lá você pode escolher a impressionante Catedral Uspenski ou um passeio de barco até o patrimônio da humanidade, a fortaleza Suomenlinna. As duas atrações têm muito a ver com a relação tensa entre a Finlândia e seu poderoso vizinho, a Rússia.

Uspenski katedraali, a catedral ortodoxa
A Uspenskin katedraali é a maior igreja ortodoxa da Europa ocidental e foi concluída em 1868. A catedral é linda e soberana no topo de uma colina e pode ser vista de qualquer parte da cidade. Construída com tijolos vermelhos e com suas cúpulas douradas, a catedral apresenta um contraste marcante no céu azul de Helsinque e não deixa os finlandeses esquecerem que a poderosa Rússia, que durante mais de cem anos tomou conta do país, está logo ali… Se do lado de fora a catedral impressiona, no seu interior a riqueza dos ornamentos e ícones ortodoxos conquista um lugar na memória do visitante. Um dos pontos altos da cidade.

A fortaleza de Suomenlinna
A Fortaleza Suomenlinna é um patrimônio cultural da humanidade e merece ser visitado. Planeje a visita com no mínimo 2 horas. A fortaleza é um exemplo da arquitetura militar do século 18, quando a Finlândia fazia parte do Reino da Suécia. A fortaleza foi construída pelos suecos, para se protegerem dos….russos. A poderosa e então moderna fortaleza sucumbiu aos russos que passaram a utilizá-la durante seus 108 anos de ocupação. Pegue o barco para a Suomenlinna na Kauppatori. O passeio leva 25 minutos e chegando nas ilhas tome cuidado para não se perder nos túneis subterrâneos da fortaleza. Visite também o bairro Suomenlinna.
De volta ao centro da cidade, dê uma volta no Töölönlahti. Uma espécie de Lagoa Rodrigo de Freitas para relaxar. O Café Piritta, às margens do Töölönlahti, não tem um cardápio variado, mas vista é muito legal.
A moderna Helsinque e o verão eletrônico, com um toque brasileiro
A cena cultural de Helsinque vem sendo considerada como uma das mais vibrantes do norte europeu. Cada vez mais turistas de todas as idades, viajam para a cidade para curtir a vida noturna agitada da capital finlandesa. Durante todo o verão a cidade oferece espetáculos musicais, teatrais e de dança. O mais importante deles é o Helsinki Festival, e dentro dele o Flow Festival, o festival de música alternativa e eletrônica que este ano reuniu mais de 50.000 pessoas.

A galera no Flow Festival. 50 mil pessoas em 3 dias

A área do festival, na antiga companhia de energia de Helsinque
O Flow Festival é um marco na vida cultural finlandesa e traduz o espírito da geração globalizada do país. Finlandeses de todas as idades e um número cada vez maior de estrangeiros, visitam o festival para curtir grandes nomes da música mundial, mas também nomes pouco conhecidos. O festival acontece na área abandonada da antiga companhia de energia de Helsinque, o que simboliza mais um aspecto importante da psíque finlandesa -”tudo se aproveita, tudo se transforma”. Os finlandeses se orgulham de ser um povo verde, e consciente dos impactos do homem na natureza. O festival trabalha com um perfil ecológico, desde seu merchandise, até a reciclagem de latinhas, onde para cada lata que você retorna você recebe 1 euro de volta.
O aspecto da transformação está presente também na música do festival que mostrou em sua grande parte uma mescla de várias vertentes da world music, empacotadas numa embalagem eletrônica. Em 2010, os principais nomes do festival foram a cingalesa e britânica M.I.A., os britânicos do The xx, a pequena combustão sueca Robyn, o rapper americano BigBoi e os DJs franceses do Air. Ao todo foram mais de 60 nomes e entre eles os curiosos finlandeses do Maria Gasolina.
Abrindo o segundo dia do festival, no palco principal, 8 finlandeses tocavam musicas conhecidas para os ouvidos brasileiros deste intrépido repórter. Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Benjor e Ivete…Ivete Sangalo. A música era inconfundível, mas as letras…muito confundíveis…em finlandês!

A saltitante Lissu (ao centro) e o saxofonista Taneli (de branco), da banda Maria Gasolina falaram com o Preto no Branco
A Maria Gasolina começou com a finlandesa Lissu, voltando do seu intercâmbio e sentindo a famosa saudade do Brasil. Além da saudade, Lissu também sentiu a necessidade de mostrar aos seus amigos finlandeses a riqueza da música brasileira. Mas com duas culturas, e línguas completamente diferentes, Lissu percebeu que a música brasileira, apesar do ritmo contagiante não tinha o mesmo efeito em seus amigos finlandeses. Ela resolveu então traduzir as letras para o finlandês, e o resultado foi a banda Maria Gasolina.
Depois do show, a rebolativa Lissu e o saxofonista Taneli bateram um papo com o Preto no Branco e confirmaram que o sucesso da banda vem aumentando. A Maria Gasolina toca música brasileira durante todo o ano botando pra dançar finlandeses de norte a sul do país. Em 2010 a banda estará lançando seu terceiro disco que agora já conta com outros sucessos da world music em seu repertório. Taneli assume que a além de traduzir as letras, a banda também teve que adaptar o som:
Nós tocamos música brasileira com uma pitada finlandesa. No final o som animado brasileiro fica do jeito que os branquelos gostam! Taneli Bruun, saxofonista da banda Maria Gasolina.

Finlandeses sacudindo no ritmo brasileiro
Os dois reconhecem o papel importante da banda Maria Gasolina no cenário musical finlandês. – O que nós fazemos é misturar um pouco de cada coisa. Pegamos a música brasileira, e usamos arranjos africanos, caribenhos e fazemos o nosso som, mostrando a variedade da música mundial para o público finlandês -. E o público adora, mesmo com a cintura dura, os finlandeses sacudiram durante mais de 1 hora de música brasileira no Flow Festival. A banda tem planos de tocar no Brasil, e recentemente fecharam um acordo com um representante no Brasil para tentar fazer uma turnê no país. Vejam um pedaço da apresentação do Maria Gasolina no festival e visitem o site da banda.
O verão mais quente dos últimos 100 anos na Finlândia contribuiu para um estadia memorável, e também para comprovar minha impressão do potencial da cidade. Helsinque conta com muitas outras atrações para todas as idades. Museus, igrejas, parques, o Estádio Olímpico com sua torre panorâmica de 72 metros de altura, a Arena Sonera (casa do HJK, o time de futebol da cidade) e o monumento Sibelius (maestro e compositor finalandês) além das muitas casas noturnas e dos bares completam a cidade. O Flow Festival também é uma boa desculpa pra visitar a cidade durante o verão e confirmar se a Finlândia é realmente o melhor país do mundo pra se viver!
Kiitos Suomi!
*Em 2009 a Noruega foi escolhida como o melhor país do mundo pra se viver.


Olá, estou tentando localizar uma pessoa um Finlândes que vive em Helsinki com as poucas informações que tenho. Na realidade buscava algum site de ajuda, jornal diário para publicação, ou comunidades de brasileiros que vivem em Helsinki. Então encontrei sua materia e por isto escrevo, talvez possa me dar algumas dicas. Se puder agradeço muito!.
Atenciosamente
Sandra Avelar