Pontos positivos, pontos negativos
Não quero provocar ou fazer uma comparação, meu objetivo neste texto é apenas discutir questões importantes, para mim, como saúde, educação e segurança. Volto a enfatizar que não pretendo apontar, negativamente, estas questões, muito menos comparar países, porque Noruega e Brasil são completamente diferentes, com bases ecônomicas e sociais distintas. Meu objetivo é refletir sobre tais questões.
Começarei pela saúde, que é importante para a sociedade, tanto no plano individual, quanto no coletivo, pois fazemos uma relação direta com vidas. Quem já experimentou o sistema de saúde de ambos os países conhece bem as peculiaridades, ou seja, são diferentes, cada um com suas preocupações e enfoques. A proposta do médico de família, por exemplo, existe em ambos, com seus problemas e também com seus casos de sucesso. Quem já experimentou o serviço de saúde pública do Brasil pode falar com propriedade dos problemas enfretados no atendimento, mas pode colocar pontos positivos, como um tratamento recebido no Hospital do Câncer de São Paulo ou no Rio de Janeiro, que é gratuito e de boa qualidade. O mesmo para quem já enfrentou o sistema público de saúde norueguês, com suas preocupações na prevenção de determinadas doenças.
Passarei para a segunda questão, educação, que, como Pedagoga, me foi muitas vezes questionada por conta do eterno “brincar”. Quem possui filhos nas escolas norueguesas ou já visitou uma delas, entende minha colocação, porque está nas diretrizes educacionais, principalmente, para os pequenos, que brincar vem antes de aprender. Num primeiro momento, pode parecer sem fundamento. “Por que as crianças só brincam”? Eu já me perguntei isto muitas vezes, ouvi tantas outras, mas parei para pensar sobre: “por que as crianças deveriam ficar o tempo todo sentadas dentro de uma sala de aula ouvindo a professora falar”? Alguém já pensou nos benefícios das brincadeiras? O que a criança ganha de desenvolvimento cognitivo, social e motor? Claro que algumas críticas são favoráveis, prefiro um meio termo, tempo para brincar e tempo para aprender. Que qualidade de ensino queremos?
A última, mas não menos importante, a questão da segurança, não pode ser comparada por conta de proporções incomparáveis, número de habitantes e renda per capita idem. Vou, então, mencionar o sentimento de segurança, pelo menos nas áreas mais nobre, digamos desta maneira, de ambos países. Contudo, sem comparações, para o nato de um país que se muda para outro, ele sempre achará o atual melhor do que o país de origem, os pontos negativos serão mais ressaltados que os positivos, os defeitos aparecerão em todas as rodas de conversa. Os casos bem sucedidos sempre ficam guardados, as tentativas valorosas também. O retorno positivo fica lá no fundo da gaveta. Que tal colocarmos tudo na balança e tentarmos tirar proveito do que de melhor cada país tem a nos oferecer? Parece uma boa prática para se conviver melhor com diferentes questões, situações e culturas.


Querida Maria,
Mais uma vez você soube fazer o contraponto de questões muito importantes para todos nós de uma forma bastante clara, objetiva e muito significativa.
Parabéns pelo texto e pela ótima reflexão.
abraços carinhosos,
Vania Alcantara
Recife-Brasil
Cara e nobre amiga Maria,
Com a minha experiência como imigrante tenho a dizer que concordo com o seu ponto de vista, pois não há melhor ou pior lugar para se viver.
Como já dizia o Gil em uma de suas canções: “O melhor lugar do mundo é aqui e agora”.
Cumprimentos,
Maria Henningsen
Prima,
Parabéns por mais um escrito que só tem a nos acrescentar. Viajante pelo pensamento, tento imaginar todos os seus relatos.
Bjs,
Rute Tostes
Nao ficou muito claro o que eh, na sua opiniao, positivo e o que eh negativo. Mas absolutamente concordo com voce, Maria, que as realidades sociais sao muito diferentes e nao devem ser analisadas superficialmente.
Obrigada pelo texto!
Sabrina
Gostei do texto, Maria.
Dificil mesmo comparar dois países tão diferentes.
Só não concordo com a questão da educacão… Na minha opinião a qualidade do ensino norueguês é extremamente baixa. A falta de obrigacões das criancas nas escolas colabora por formar criancas irresponsáveis e inconsequentes. Infelizmente as escolas oferecem muitos direitos e cobram poucos deveres dos alunos.
Parece que finalmente a sociedade norueguesa está percebendo o problema da educacão por aqui. No rádio só se ouve falar da queda da qualidade das escolas norueguesas.
Vamos esperar que esse sistema falho e superprotetor das escolas seja modificado!!!
Parabéns Maria!
Vc soube se colocar muito bem.Penso da mesma forma que vc! Temos que ser positivos, já que estamos aqui, vamos olhar mais os pontos positivos daqui!!!!
Estou aqui faz pouco tempo, ainda estou aprendendo as coisas, mas na questão do ensino, confesso que fiquei assustada! Eles são muito tranqüilos, as criancas apenas brincam nas escolas nos primeiros anos. Mas sei que eles são avaliados no desenvolvimento através de bricadeiras e trabalhinhos. E temos no Brasil escolas com esse método também…! Pedagogia moderna !!!!
Olá Maria!
As questões por você levantadas neste artigo também já perpassaram minha cabeça. Mas definitivamente, como você já colocou, não há comparação entre Brasil e Noruega. Na Noruega há problemas na saúde com certeza mas todos possuem acesso ao sistema. Há também educacionais de toda ordem, entre eles posso citar, no caso de Oslo, o problema de algumas escolas em que o número de imigrantes ultrapassa o número de noruegueses dificultando tanto a integração destes quanto a aprendizagem principalmente do idioma. No Brasil possuímos talvez melhores médicos e profissionais educacionais. Contudo, inelizmente, estamos longe de ter uma política igualitária como a que há aqui. O Brasil é o único país da America Latina que ainda não fez a reforma agrária. O Brasil é o oitavo país que tem o maior indíce de desigualdade social e econômica no mundo. Soma-se ainda o preconceito contra os negros, os índios, as mulheres e os portadores de deficiência. Bem, esses são os que lembro agora. O preconceito aqui refiro-me não é somente por não gostar de, mas de não haver acesso desses grupos a Universidade, a postos de trabalho e quando há, sem condições igualitárias . A balbúrdia política que impera em nosso país contribui para este retrato que não é o cartão postal. Pode parecer pessimismo mas não, é realismo. Assim, como Cristovm Buarque e você, também acredito na educação como o caminho para a mudança, pois é através dela que podemos formar cidadãos mais conscientes de seus direitos e de seus deveres. E viver na Noruega deu-me mais certeza disso. A aqui a polulação exige seus direitos e também cumpre seus deveres. Por mais falhas que haja no sistema educacional aqui se formam cidadãos. Podemos pensar em muitas reformas e melhoras no sistema educacional do Brasil, mas primeiro ele precisa ser para todos e de qualidade.
Varias vezes tentando entender divergências profundas na politica economica, mentalizava “a meta o ideal seria como na Noruega. Ela começou a ser considerada por mim por causa da votação do pre sal. A partilha ou invés de concessão e a Noruega era dada como exemplo. Agora mesmo a UNE foi recebida pela presidenta Dilma que reinvidica o uso dos dividendos do pre sal em favor da educação. Li aqui como é na Noruega. http://www.noruega.org.br/About_Norway/business/Investindo-o-patrimonio-petrolifero-para-as-geracoes-futuras/
Fico pensando como as divergências entre Estado e Mercado são conduzidas pelos partidos. Existem partidos não?
Aqui no Brasil por uma questão de foro intimo, gosto muito da Antroposofia na questão da trimembração do corpo social, etc.
Dai que por essa filosofia a atividade econômica só poderia ser realizada no campo da fraternidade.
Por gentileza caso respondam avise pelo meu email. A proposito gostaria de saber o preço em reais da banda larga ai na Noruega. Se ela tem que ser contratada como Combo, ou seja integrante de um pacote. Com ou sem impostos.
Outra coisa como se comportam ai as comunicações. A TV e radio são concessões? São regulamentadas? A imprensa toma partido e se manifesta como tal a priori. Aqui aconteceu somente com o jornal O Estado no 2º turno.