Preto no Branco faz entrevista exclusiva com Gilberto Gil

Preto no Branco e Gil em Oslo
O Preto no Branco apronta mais uma e é o único veículo de mídia no backstage do show do Gilberto Gil em Oslo. Leia e ouça a entrevista do dia 5 de novembro.
Com os seus 67 anos, Gilberto Gil não se apresenta mais como o rebelde político que fora nos anos 60/70, quando foi preso e viveu no exílio. Talvez por causa da experiência adquirida ao longo dos anos, talvez pelo momento político, social e econômico que o Brasil atravessa. Momento esse em que Gil também contribuiu através dos seus 5 anos como Ministro da Cultura.
O show do dia 5 de novembro foi o primeiro de uma série de 15 na Europa e surpreendeu grande parte do público que encontrou cadeiras ao entrar no Rockefeller. – Sentar pra quê???? – sussurrou um integrante da platéia.Com um formato minimalista, ao lado de seu filho Bem Gil (violão), e do consagrado instrumentista Jaques Morelenbaum (cello), o show de Gil apresentou um trio de cordas com versões melódicas de grandes sucessos de sua carreira. Morelenbaum, que na verdade é um dos arranjadores mais cobiçados na música brasileira, fez as vezes de uma banda e com seu cello coloriu, ritmou e pavimentou a estrada para que Gil pudesse levar o público a uma viagem musical no Rockefeller.

Gilberto Gil em Oslo
Gil, no centro do palco se mostra confortável com o ambiente e usa além de sua música, estórias para colocar o público em um transe que dura aproximadamente 2 horas. Além de tocar músicas das mais diferentes fases de sua carreira, Gil coroou o ambiente íntimo de seu show em Oslo, tocando uma música jamais gravada, e que foi feita para o casamento de sua filha Morena.
O Preto no Branco, que levou Joanna D’Arc do Nascimento – vencedora da promoção Gilberto Gil e Preto no Branco – foi o único veículo de mídia presente no backstage do Rockefeller. Nossa colaboradora, cantora, repórter e tiete, Vera Américo fez uma entrevista exclusiva com um dos maiores nomes da música mundial. Um Gil (ou dois?) satisfeito falou para a comunidade brasileira na Noruega:
- Fala um pouco desse novo trabalho.
- Na verdade a primeira inspiração para esse trabalho surgiu há 3 anos atrás, quando nós lançamos um disco chamado Gil Luminoso. Eu havia feito para o livro [de mesmo nome], para encartar no livro, São canções que o Bené Fontelles, o realizador do livro, escolheu…e eu gravei sozinho. Depois o disco foi lançado e eu fiz uma excursão sozinho pelos Estados Unidos e depois quando levei o repertório para Europa, eu trouxe o Bem, meu filho, que começou então a tocar comigo. Agora a minha agente sugeriu que a gente trouxesse o Jaques. Ele veio e então começamos esse trabalho a três. [O show] tem a suavidade dos violões acústicos e há a magnificência do cello, tocado magistralmente pelo Jaquinho.
- O repertório do seu show foi na verdade uma viagem na sua carreira?
- Foi sim, a última canção que eu cantei foi do meu primeiro disco, Viramundo (do disco Louvação), e aí vai passando…a La Renaissance Africaine, que é do ultimo disco. Banda Um, que eu não cantava ha muito tempo…
- Mas Gil, a sua música…aqui na Europa nós encontramos seus discos catalogados como World Music. A música do Gilberto Gil é World Music?
- Essa classificação…Há mais de 10 anos eu escrevi um texto para uma revista de música americana, especializada em World Music. O título do texto é “A música mundial é maior que a world music”, e é exatamente dizendo que, enfim, as coisas que aconteceram na Jamaica, na África, a importância que os artistas ingleses, americanos, franceses e etc, vêm dando à música Africana, à música asiática.. à música brasileira e que essa coisa de uma pratileira na estante da loja de discos chamada world music, é menor do que tudo que se faz no mundo. Mas ao mesmo tempo é isso, “um label”, que serve pra classificar…a variedade é muito grande de música hoje no mundo, serve um pouco pra identificar essa música que é feita por artistas da periferia global, nas suas próprias línguas, com seus próprios ritmos e etc. Então tem no fundo uma coisa boa, não é de todo ruim, eu não me incomodo. Porque o público também nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, já se habituou com esse título, esse rótulo e de uma certa forma preenchem os significados, compreendem os significados variados desse rótulo. É positivo o que eles querem passar como mensagem. Eles querem dizer que há uma música na periferia, não só nos países centrais, que hegemonizam o rádio o mercado. Há uma música importante feita no Peru pelos peruanos, em Bali pelos balineses, na Nigéria pelos nigerianos, no Brasil pelos brasileiros…
- E a música brasileira no mundo?
- No caso da música brasileira, o fato dela ser muito grande, muito variada com projeção internacional à partir da bossa nova, já mesmo com Carmem Miranda, Pixinguinha, e depois com toda a geração que veio depois da bossa nova. Eu, o Caetano, Chico, Gal Costa, Maria Betânia, Djavan e mais recentemente Marisa Monte, Seu Jorge, enfim. Aí fica pequena essa designação de música periférica. Mas essa é uma questão não só da música, é uma questão do Brasil…O Brasil ainda é visto, por nós mesmos, brasileiros, como país periférico. Agora que o mundo começa a dizer que o Brasil é um global player. O Brasil tem uma liderança considerável na América do Sul, uma ascendência sobre a África, enfim…O Obama entende isso, a importância do Brasil, o Sarkozy entende a importância do Brasil, esses governantes mais atuais, ao centro à esquerda compreendem isso…
- Mas você ajudou nisso também…
- Sim, eu tenho sido um embaixador…
Valeu Gil!
Ouça a entrevista Preto no Branco na íntegra.
E veja um trecho do show em Oslo:

