Relações entre Brasil e Noruega alcançam um novo patamar

O ministro Trond Giske e o Embaixador Sergio Lima
O ministro da relações exteriores, Jonas Gahr Støre afirmou que o Brasil é um interlocutor necessário e útil em diversos temas da agenda internacional como OMC, G 20, negociações sobre clima e meio ambiente, alcance dos objetivos do milênio e esforços pela reconstrução do Haiti. Na esfera bilateral, disse que o Brasil começa a realizar o seu potencial também para o setor produtivo e investidores noruegueses. O projeto se insere dentro do programa do governo (Soria Moria II) que prevê a aproximação da Noruega junto aos “países emergentes mais influentes”. Gahr Støre enalteceu a diplomacia brasileira e sua capacidade de buscar o consenso. Complementou dizendo que o “Brasil é um ator global que exerce a liderança natural por meio da criação de pontes”. E que a estratégia do governo norueguês visa a explorar essa capacidade e a complementaridade existente entre os dois países. Convidou representantes da sociedade civil e do meio empresarial a participar do processo por meio de subsídios que permitam ampla reflexão sobre os interesses da Noruega e as possibilidades de mais estreita cooperação com o Brasil.
[o] Brasil é um ator global que exerce a liderança natural por meio da criação de pontes. Jonas Gahr Støre, ministro norueguês das relações exteriores.
Também presente, Trond Giske, o Ministro da Indústria e Comércio afirmou que a emergência de países como China, Índia e Brasil reflete as mudanças na economia mundial. Na lista das maiores economias, os países europeus estariam perdendo posições. Giske disse que se encontrou pela primeira vez com o Presidente Lula em avião no Brasil na campanha eleitoral de 1998. Segundo ele, Lula mostrou-se muito interessado nos países escandinavos e em como a Noruega soube promover a área da responsabilidade social.

Apresentação da Estratégia Brasil
O Ministro do Petróleo e Energia referiu-se ao desenvolvimento e à competitividade da agricultura brasileira – recordando seu cargo anterior de Ministro da Agricultura, no primeiro governo Stoltenberg. Quanto à energia, comentou que o Brasil constitui um dos poucos países a dispor de grande potencial tanto no setor de petróleo e gás, quanto no de renováveis. Na medida em que a produção de hidrocarbonetos declina em várias partes do mundo, a do Brasil aumenta não só para satisfazer as necessidades internas mas para suprir a demanda mundial. Disse que, quase todas as semanas, empresas norueguesas firmam contratos no Brasil. Aduziu que a Noruega está bem representada no mercado brasileiro por companhias de energia e pela Intsok, que reúne todas as empresas do setor offshore. Citou também o Grupo UMOE, na área de bioetanol e a SN Power, em hidroeletricidade.
Por fim, falou o Ministro do Meio Ambiente e da Cooperação Internacional Erik Solheim. Sua mensagem foi no sentido de que o Brasil “é um país que faz”. Lembrou que, quando esteve no Acre em 1992, o Estado protegia de forma precária o meio ambiente e vivia conflito entre ambientalistas (mencionou o assassinato de Chico Mendes) e fazendeiros. Ao retornar em 2009, encontrou uma realidade diferente, em suas palavras, um “paraíso verde”, onde se nota a presença do Estado e consciência ambiental encorajadora. Referiu-se ainda à parte social, ressaltando que em razão das políticas adotadas pelo governo o crescimento econômico brasileiro está sendo acompanhado de melhorias sociais significativas, que promovem a expansão do mercado. Aludiu ainda ao dialogo social e à cooperação em responsabilidade social. Saudou o programa brasileiro de redução do desmatamento, que, em suas palavras, tem sido a “maior contribuição para o clima no mundo”. Disse ainda que o Brasil e a Noruega participam do grupo de seis países na Comissão para a Reconstrução do Haiti.
o Brasil é um país que faz. Erik Solheim, ministro norueguês do meio ambiente e da cooperaração internacional

A plateia na Litteraturhuset
Com a cerimônia, o Governo norueguês inicia processo de reflexão e coordenação de iniciativas para o desenvolvimento das relações bilaterais sem precedente na história dos dois países e que envolve governo, setor privado, academia e sociedade civil. A chancelaria norueguesa definiu de antemão quatro áreas temáticas de interesse norueguês: meio ambiente e clima; comércio e indústria; educação superior e pesquisa; e política global. O documento de estratégia deverá estar pronto no primeiro bimestre de 2011. Cogita-se de visita do Ministros Giske e Støre ao Brasil no primeiro semestre de 2011.


ACREDITO SER UMA INF. INTERESSANTE PARA PROJETOS FUTUROS
ATTE
GRACIELA W.