Tourada em Barcelona

Protesto em frente à Plaza Monumental
Barcelona, a capital da Catalunha, é conhecida como uma cidade alegre e é por muitos considerada a cidade europeia com o ambiente mais parecido com o carioca. A atmosfera relaxante, as atrações turísticas que são muitas, as praias sempre ao alcance, o futebol que é uma verdadeira religião e a noite, sempre agitada e com infinitas possibilidades. Mas em Barcelona existem traços peculiares da cidade que também mostram um lado nada agradável da cultura espanhola. No último verão europeu, o Preto no Branco visitou Barcelona e pôde ver uma tourada espanhola.
Mesmo sendo advertido durante toda a minha vida sobre a crueldade das touradas, a curiosidade era maior e não pude resistir. Queria ver com os meus próprios olhos para poder então tirar minhas próprias conclusões.
A minha primeira impressão me fez pensar nos desenhos animados do Ligeirinho (Speedy Gonzalez), que vi quando criança. Muitas cores, música, alegria e um público animadíssimo.
O espetáculo da tourada começa com a apresentação da cuadrilla, com os matadores, picadores (montados em seus cavalos), banderilleros e o mozo de espada. A apresentação da cuadrilla do dia mostra seus participantes ostentando trajes finos, coloridos e de certa maneira impressionantes e aumentam as expectativas do público presente. Neste domingo de sol, a plateia parece tomada em sua maioria por turistas estrangeiros e por pessoas idosas.
Depois da limpeza da arena e da marcação com o cal, os trompetes retomam seu ritmo e anunciam a entrada do touro.
Logo depois de ser saudado pelo público, começa o teste do touro, onde sua ferocidade é colocada a prova pelos banderilleros e pelo matador que com suas bandeiras “esquentam” o touro.

Tercio de varas
Na primeira parte do espetáculo, o tercio de varas, o matador enfrenta o touro e observa seu comportamento e poder de reação, numa fase inicial chamada suerte de capote. Logo em seguida os picadores com sua lança (vara), entram a cavalo e dão início à tourada propriamente dita. Seus cavalos são protegidos por um peto, um tipo de colchão de metal, que reduz o efeito dos ataques dos chifres do touro
A essa altura o picador começa o que rapidamente deixa de ser um espetáculo e passa a ser uma tortura. Com sua lança ele atinge os músculos do pescoço do touro, que rapidamente começa a sangrar. Um trabalho bem feito pelo picador irá fazer com que o touro durante toda a tourada mantenha sua cabeça abaixada, facilitando dessa maneira o trabalho do matador.

Depois das banderillas
Na próxima fase, o tercio de banderillas, os três banderilleros tentam cravar suas espadas o mais próximo possível da ferida feita anteriormente pelo picador. Os repetidos ataques à musculatura do pescoço do touro aumentam necessariamente a perda de sangue e o estresse físico e mental por parte do animal.
Na última fase, o tercio de muerte, o matador retorna à arena sozinho, com sua capa vermelha (muleta) e uma espada. É um engano pensar que a capa vermelha aumenta a agressividade do touro, que na verdade é daltônico. A capa é vermelha para camuflar o vermelho do sangue do touro, que a essa altura jorra sem parar do dorso do animal. O matador usa a capa para atrair o touro e “driblá-lo”, mostrando controle sobre o animal e se aproximando dele cada vez mais. O conjunto de movimentos e gritos do matador nesta fase constituem a faena. A faena termina com o touro posicionado de maneira que o toreador pode dar a estocada, ou seja, em um único ataque cravar a sua espada entre as escápulas do touro atravessando a aorta e atingindo o coração do animal.
Com “sorte” o animal morre de maneira rápida, dando fim à tortura que leva aproximadamente 30 minutos. Paradoxalmente, o público aplaude de maneira mais calorosa aquele que dá fim ao sofrimento do animal de maneira rápida. Muitos matadores são vaiados justamente por não serem certeiros na estocada.

A Estocada
Depois de assistir tudo isso, fica a pergunta: Pode uma cultura de centenas de anos justificar a tortura, o massacre de animais? Posso assegurar que não voltarei à uma arena de touros e irei como muitos outros apoiar campanhas contra essa brutal expressão da cultura hispânica.
Visite os links abaixo e dê seu apoio!
Running of the nudes
Peta.org.uk
Stop bullfighting – the petition site
The Marchig Animal Welfare trust

O fim da tortura?


Que boa reportagem!! A curiosidade no bom sentido é maravilhosa! Voce foi ver e viu, que nao tinha nada a ver do que voce imaginava, tirou suas proprias conclusões.A vida é assim, não sei como tem gente que não tem nem uma ponta de curiosidade.Valeu!
Olá sou Yeda Canto, Terapeuta e cantora aqui de São Paulo, se voce quiser conhecer minhas musicas acesse meu myspace : http://www.myspace.com/yedacanto
Se quiser enviar algum comentario, ou mesmo conversar, entre em contato.
Um abraço.